Entre o belo e o grotesco
Quinta-feira, Agosto 30th, 2007Joel Peter Witkin é um fotógrafo muito diferente. Por quê? Simples: ele ficou conhecido por seu trabalho marcante misturando corpos nus defeituosos, símbolos sado-masoquistas, pedaços de cadáveres e ícones religiosos. Tudo isso com um acabamento artesanal que transforma cada foto em uma peça única. Ah sim, e sem photoshop:


“The Kiss”
Nascido em 1939 em New York, Witkin foi fotógrafo na guerra do Vietnã e depois foi estudar arte no México. Seu primeiro contato com a morte foi quando era criança e viu uma menina ser decapitada em um acidente de trânsito quando ia para a escola. Após o exército, iniciou sua obra que questiona a morte e o sonho, o belo e o grotesco. O fato de ele trabalhar apenas com corpos de indigentes adiciona mais questões a essa salada: afinal, o que foi a vida dessas pessoas? E a morte? Não, não é fácil entendê-lo.

“Daphne and Apollo”, “Mother and Child”, “Feast of Fools” e “Cupid and Centaur”
Seu processo criativo é bem inusitado. Antes de tudo ele desenha a idéia. Depois disso vai atrás dos elementos que quer usar, inclusive dos corpos. Por fim ele faz um trabalho de pós-produção com os negativos. Sempre buscando referências na pintura, como Bosch, Goya, Velasquez, Miro, Botticelli e Picasso.
Seu trabalho foi proibido em diversos países por seu caráter transgressor e chocante para a opinião pública. Brilhante, mórbido, imoral e perturbado são alguns dos adjetivos atribuídos às suas fotos. Prefiro classificá-lo como inspirador.
O estilista Alexander Mcqueen também pensa assim, por isso usou o fotógrafo com inspiração para sua coleção de primavera/verão 2001. Tanto, que colocou uma instalação do fotógrafo no final do desfile:
“Sanitarium”














